Mulheres Angolanas "importam" babás

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O jornal O pais desta semana levanta um assunto bastante interessante , sobre a moda de algumas mulheres Angolanas importarem babás no exterior do Pais. leia reportagem do Jornal O pais. Segunda-feira. 11 de Junho de 2012. Um anúncio na página 13 de classificados do Jornal de Angola apresenta o número de uma suposta empresa que oferece mulheres tailandesas e filipinas a interessados nacionais e estrangeiros, provavelmente, que necessitem dos seus préstimos para cuidar dos seus filhos no território angolano.

A publicidade deixa surpreendido alguns dos leitores com quem tivemos o prazer de abordar o assunto, mas a importação de babás estrangeiras há muito que se tornou realidade no país, principalmente no seio dos mais abastados.

Maria (nome fictício) é advogada e mãe de duas crianças menores de 10 anos de idade. Tem empregadas domésticas angolanas, que tratam da casa, alimentação e da roupa, mas o cuidado dos seus rebentos depositou nas mãos de uma cidadã originária das Filipinas.

A babá, que provém daquele país situado no continente asiático, está há quase um ano em Angola, onde se deslocou com o referido propósito, segundo a própria contratante.

Maria teve mais sorte em relação a duas amigas suas que desejavam os serviços de outras duas cidadãs filipinas para cuidarem dos seus filhos.

Mas, estas, ao contrário da amiga, aguardam há mais de um ano pela chegada daquelas a quem pensam depositar os cuidados primários e outros tratos na infância.

“Há mais de um ano que não chegam, mas a empresa que se ofereceu em trazê-las ficou com o dinheiro delas”, contou a nossa interlocutora, sem ter especificado o montante envolvido nesta empreitada.

O PAÍS apurou que existem algumas instituições criadas para facilitar a vinda de jovens asiáticas, com maior incidência para as filipinas e tailandesas, para cuidarem de crianças angolanas, apesar da diferença de culturas entre os seus países de origem e Angola.

Muitas destas firmas, como a que publicitou na edição de 11 de Junho deste ano no único diário do país, garantem que conseguem os vistos de trabalho das imigrantes, assim como outros processos de legalização.

Apesar destas desconfianças em relação a quem ‘importa’, que acabam por ficar com o dinheiro dos interessados, o desejo em ter uma babá estrangeira, seja ela filipina, tailandesa ou brasileira, é cada vez mais presente no seio de uma autoproclamada classe média-alta no país.

“Compensa ter uma funcionária destas. Se tivermos de analisar os custos e os benefícios, acho que temos benefícios de 99 por cento”, contou a jurista, que preferiu falar sob anonimato. No primeiro mês ela notou algumas diferenças de comportamento nas atitudes da asiática. Mas nos meses subsequentes a situação começou a mudar e talvez por isso justifique o pagamento de um salário mensal à expatriada que ronda os 500 e 700 dólares norte-americanos.

Na prestação de serviços semelhantes, muitas angolanas auferem ordenados máximos de até 300 dólares norte-americanos ou o equivalente em Kuanza. Mas, Paula (nome fictício), moradora no bairro Morro Bento, no município da Samba, também mãe de duas crianças diz que optou pelos préstimos de uma filipina por vários motivos.

Um dos motivos avançados pela também causídica do Morro Bento prende-se, segundo ela, ao facto de as angolanas não aceitarem ser empregadas internas. Outros passam pelas poucas ausências das asiáticas do local de trabalho, por motivos de saúde, mortes e até pequenos ou grandes furtos. E há mais. A advogada diz que optou por uma filipina porque além de cuidarem dos meninos elas também ensinam a língua inglesa.

Depois da Espanha, a República das Filipinas acabou por passar também para as mãos dos Estados Unidos da América, razão pela qual este país optou pelo espanhol e inglês como as suas duas línguas oficiais.

Apesar de serem funcionárias a tempo inteiro, as babás ‘importadas’ gozam de um dia de folga durante a semana para que possam desanuviar a tensão dos dias de trabalho.

Mas foi num destes dias de descanso que Paula descobriu que a mulher a quem depositou os cuidados e a educação dos seus filhos aproveitava o momento para se prostituir junto da pequena comunidade do seu país existente em Angola.

Esse incidente, desconhecido por muitas das pessoas que albergam nas suas residências empregadas com o mesmo regime de contrato, fez com que esta advogada a mandasse de volta para o seu país de origem: Filipinas.

“Ela já não a queria mais por causa do comportamento. Acredito que foi informada por uma pessoa próxima sobre esta situação”, contou um dos familiares da contratante.

Sobre as filipinas e os supostos contratos efectuados, Maria garantiu-nos que “o governo filipino tem uma regra de emigração muito forte para os seus cidadãos”. “Eles não saem sem um contrato de trabalho.

Precisam de uma autorização, principalmente quando efectuaram uma viagem distante como a que fazem até Angola”, acrescentou.

A jurista contou que essa dureza nas políticas de migração que diz existir no país onde buscou a babá dos seus filhos visa prevenir casos como os que aconteceram com a funcionária de Paula: cair no mundo da prostituição ou exploração sexual.

E também mantê-los longe do tráfico de seres humanos. “ELAS ARRUMAM BEM”

A patroa defendeu à partida que não se podia identificar porque tem um nome a proteger e estava receosa dos contornos que uma entrevista do género pode causar. Mas, K (nome fictício), mãe de uma criança recémnascida e casada com o filho de uma conhecida figura pública, contratou recentemente uma babá tailandesa.

Além da criança, a asiática é que cuida dos outros afazeres na casa.

Mas o momento que deixa a sua patroa encontrada é o da arrumação. “Elas arrumam as coisas consoante as suas cores e trabalham de uma forma diferente. A minha irmã também quer uma”, contou uma amiga, acrescentando que “elas chegam através de um canal. E não presta mais informações porque isso está associado a sua vida íntima”.

Os canais de entrada passam pelas vias oficiais ou também nos meios ilegais. Talvez por isso, a contratante da tailandesa não tivesse receios em deixar no ar que existem muitas babás asiáticas clandestinas.

 

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