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    Paulo Flores: Divulga faixas e Capa do “Bolo de Aniversário” seu novo álbum

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    Com os quentes ritmos de Semba que o caracterizam, o cantor angolano completa agora 30 anos de carreira, pontuados com mais de 15 álbuns. A voz de Paulo Flores inspira-se na tradição urbana de Luanda e conta-nos histórias de ontem, de hoje e de amanhã.

    “Bolo de Aniversário” apresenta-nos as vivências e experiências musicais que mais o marcaram ao longo dos anos. O novo álbum chega em junho e a apresentação oficial será dia 15, no Salão Preto e Prata do Casino de Estoril.

     No novo álbum, o cantor que critica a falta de liberdade em Angola põe o público a dançar e a pensar “sobre as coisas sérias do país”

    O músico angolano Paulo Flores lança na quarta-feira o 15.º álbum da carreira, “Bolo de Aniversário”, imperando, ao lado de “temas mais dançantes”, a crítica política e social ao regime de Luanda, cujo “endurecimento da repressão” o surpreende.

    Em declarações à agência Lusa, Paulo Flores, que apresenta o novo disco num espetáculo a realizar na quarta-feira à noite, no Casino Estoril, arredores de Lisboa, mostrou-se “preocupado” com o futuro de Angola, face à “postura de endurecimento” do regime e pelo “exagero nos atropelos aos Direitos Humanos” no país.

    “Neste momento, fiquei um pouco surpreendido pelo endurecimento da postura (das autoridades angolanas). Numa altura em que se esperava que houvesse uma maior abertura e construção, com todos incluídos, acabo por perceber que endureceu-se bastante a posição e parece-me, pelo que sei e pelo que observo, um exagero e um atropelo aos direitos humanos. É preocupante e já falo nisso há algum tempo”, afirmou.

    “Sempre cantei as minhas músicas e muitas vezes elas foram consideradas críticas (ao regime), mas nunca senti tanta repressão, ou tanta má vontade” “Este tipo de postura não é tolerável. As pessoas consideram logo que estamos contra o próprio país. Isso deixa-me muito preocupado”, frisou Paulo Flores.

    O músico angolano, natural de Cazenga, Luanda, onde nasceu a 01 de julho de 1972 (43 anos), salienta que, ao criticar, nada mais faz do que “exercer a cidadania”, algo que, frisou, “nada tem a ver com partidos políticos”.

    “Às vezes tenho de explicar às pessoas em Angola, que ficam muito chateadas comigo quando tomo certas posições ou escrevo certas músicas, que, para mim, no fundo, é exercer a minha cidadania, não tem rigorosamente nada a ver com partidos políticos”, sublinhou.

    “Com o novo disco, pretendo obrigá-las a pensar e fazê-las sentir que têm esse direito. Espero que cada fatia desse “Bolo” seja um pouco um renovar de identidade, de caráter e de vontade de fazer parte de uma coisa que seja melhor para todos”, enfatizou.

    Antes de “Bolo de Aniversário”, Paulo Flores lançou “Kapuete” (1988), “Sassasa” (1990), “Coração Farrapo e Cherry” (1991), “Brincadeira Tem Hora” (1993), “Inocente” (1995), “Perto do Fim” (1998), “Recompasso” “2001”, “Quintal do Semba” (2002), “Xé Povo” (2003), “The Best” (2003), “Ao Vivo” (2004), “Ex-combatentes” (2009), “Ex-combatentes Remix” (2012) e “O País Que Nasceu Meu Pai” (2013).

    “Bolo de Aniversário” conta com 11 canções, com a participação de quase duas dezenas de músicos, entre angolanos, portugueses, brasileiros, cabo-verdianos e guineenses, e tem, disse Paulo Flores, “muitas influências do que se tocava no final dos anos 1980”, vindas do Haiti, Cuba, Congo, algumas kizombas, semba e afro mais eletrónica.

    “Uma mistura de estilos, mas todos mais dançantes”, concluiu, lembrando que o novo disco será apresentado, na íntegra, na primeira parte do espetáculo no Casino Estoril, com a segunda a relembrar “alguns dos êxitos” do passado.

     

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