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    Retrospectiva 2011- Os momentos mais marcantes do ano, sob o olhar de Mila Stéphanie.

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    Retrospectiva 2011- Os momentos mais marcantes do ano, sob o olhar de Mila Stéphanie.

     

    O ano de 2011, pode ser considerado marcante no âmbito social, político e cultural do nosso País. Um ano que poderia ser definido pela palavra mudança sendo que vários paradigmas foram quebrados não só no nosso País como também internacionalmente.

     

    Logo no início do ano constatamos o Grande “(re)vira Volta” que tomou conta de várias famílias angolanas. Mulheres insatisfeitas inspiraram-se no famoso Caso Nerika/caso do Nova Vida, que trazia como “personagem principal”, Nerika da Conceição Loureiro, uma mulher de 32 anos acusada de ter assassinado o próprio marido enquanto dormia. Este caso teve o seu desfecho quando a Ré foi condenada por homicídio culposo e recebeu uma pena de 17 anos de prisão. Porém, plangentemente, tal e qual como uma verdadeira epidemia depois deste episódio judicial, mais e mais casos semelhantes foram surgindo, o que levou a nossa sociedade em geral a questionar às razões por detrás destes tristes acontecimentos.

     

    A nação estava preocupada e às autoridades tentavam gerir a nova onda de “assassinatos” que aos poucos deixavam os maridos angolanos preocupados, ao ponto de muitos dormirem com um “olho aberto e outro fechado”. Mas foi enquanto pensávamos que diante disso, nada seria capaz de desviar a nossa atenção que fomos mais uma vez pegos de surpresa. Ainda durante o julgamento da Sra. Nérika, outro Grande acontecimento ocupou às manchentes de vários jornais internacionais e Angola não fugiu a regra. O assunto desta vez eram; Às Manifestações.

     

    No nosso País, tudo começou com o famoso 7 de Março. Às vésperas da data, circulou em diversas redes sociais, “boatos”, de que haveria neste dia uma grande manifestação contra a longevidade do governo em exercício… Tudo que se sabe é que às coisas aconteciam muito rápido. O que deixava muitos preocupados e crentes de que estávamos a beira de uma “nova guerra”, só que desta vez sem conhecermos os “rebeldes”. A verdade é que feliz ou infelizmente no dia D, “quase nada”( além das prisões de alguns jovens que compareceram ao Parque da Independência movidos pelo anúncio) aconteceu.

     

    Segundo o club-k( site de notícias online) o dia 7 de Março não passou de uma brincadeira( e diga-se de passagem de muito mau gosto) feita por um jovem angolano estudante na diáspora que havia na altura sido inspirado pelas “rebeliões” que surgiam no Norte de África, hoje denominadas “Primavera -Árabe”. De acordo com o mesmo site a data escolhida ( 7 de Março) teria sido inspirada na namorada do rapaz, cujo o aniversário é no mesmo dia.

     

    Sem tirar os devidos méritos ao site em questão pondo em causa a credibilidade da notícia mas sim permitindo o benefício da dúvida a quem assim julgar oportuno, a verdade é que independentemente do que realmente tenha originado esta data, o dia 7 de Março deveria entrar para história do nosso país. Pois depois deste dia, jovens de diversos níveis sociais ganharam coragem; organizaram-se de acordo com às circunstâncias e juntos iam às ruas reivindicando os seus direitos, dispostos a dar a própria vida para que a inconformidade não se perpetuasse por mais um ano.Não foi em vão que o revista norte americana Times-Magazine elegeu o “Manifestante” como a “Personalidade do ano”. Vale relembrar que alguns internautas através do portal virtual Platina-Line, também elegeram o Carbono Casimiro (um dos manifestantes presos durante uma das manifestações) e Vanessa Mayomona (activista cívica) como vencedores das categorias “Homem e Mulher do ano”. Ainda falando do Facebook, às redes sociais foram às principais armas usadas por estes jovens para buscar apoio e assim divulgar os protestos que mudaram o ciclo vicioso da história de muitos Países mundo afora, incluindo o nosso.

     

    Sendo assim, no meio de tantas divergências, precisávamos de algo para unir a nação. Algo que seria capaz de deixar-nos do mesmo lado e esquecer um pouco à nossa inconformidade e diferenças. O Campeonato Africano de Basquetebol foi oportuno neste aspecto.

     

    Quando os nossos meninos de Ouro partiram em busca de mais um título depois de vinte anos “imbatíveis” estávamos tão confiantes mais tão confiantes de mais uma vitória, que quando os factos revelaram que estávamos prestes a perder um dos poucos títulos que muito nos orgulhava dentro e fora do continente, quase metade dos angolanos sofreram ataques cardíacos. Víamos os nossos meninos que outrora ganhavam facilmente a suar para ganhar de equipas como a do Camarões e isso apavorava-nos e muito.

     

    Na maior parte dos Angolanos o sentimento de revolta era predominante e unidos solicitávamos a quem fosse de direito que fizesse alguma coisa. Talvez por isso a meio do campeonato o técnico Francês foi demitido pela FAB e o técnico adjunto ocupou o seu lugar. Até então ninguém sabia se iríamos morrer na praia ou sobreviver a tempestade. Mas, o angolano quando quer é persistente, os nossos meninos de ouro, independentemente das vicissitudes que encontravam durante o percurso, de tudo faziam para não desapontar. O novo técnico idem e chegamos até a final, mas, infelizmente a persistência dos nossos meninos e da equipa técnica, não foi suficiente e para decepção da nação perdemos o campeonato para os Tunisinos.

    Catanduva fez amistoso com Angola

     

    Como diz o provérbio popular quando Deus fecha uma janela, abre uma porta e por isso, para o conforto do povo Angolano após esta triste derrota, chegou a vez das nossas meninas mostrarem às suas capacidades no Campeonato Feminino de Basquetebol. Elas deram o seu máximo,conquistaram a medalha de ouro e trouxeram a taça para casa.

     

    É igualmente inevitável falar de conquistas sem mencionar o nome de Leila Lopes. Isso porque, Leila foi a responsável por trazer-nos a maior felicidade do ano, quando foi coroada no concurso universo Miss Universo fazendo então, com que o universo inteiro se rendesse à beleza angolana.

     

     

     

    Mas não ficamos por isso só.. Também foi assunto, a recente falta de energia eléctrica na cidade Capital que deixou muitos angolanos frustados e resultou na exoneração da Ministra de energia e águas. Do mesmo modo foi comentado a inesperada aderência dos nossos governantes às redes sociais como o Facebook, donde doravante fazem-se presentes e disponíveis para serem consultados pela juventude. João Melo, Justino Pinto de Andrade, Paulo Lukamba Gato, Bornito de Sousa, Alcides Sakala, Isaías Samakuva e Rui Pinto de Andrade, são apenas alguns dos nomes que fazem parte desta vasta lista. Nas palavras do DR. Pinto de Andrade “Este meio de comunicação permitiu o contacto rápido com todos que o frequentam e com quem teria enorme dificuldade em contactar de outro modo”.

     

    Os acidentes rodoviários infelizmente voltaram as manchetes este ano. Responsáveis pela perda de inúmeras vidas humanas, pois o descuido dos nossos automobilistas nas estradas do País deixaram muitas famílias enlutadas. De acordo com às estáticas já disponíveis, o número de vítimas nas nossas estradas em 2011 superaram o ano passado.Um assunto que deveria preocupar a todos nós e não somente às autoridades.

     

    Carro do acidente que vitimou o produtor IVM

     

    Uma das vítimas destes acidentes de viação foi o membro da Power House IVM, que lamentavelmente perdeu à vida durante o percurso rodoviário Luanda-Benguela. Outros membros foram igualmente vítimas mortais deste mesmo acidente, o que foi sem dúvidas, uma Grande perca a cultura nacional. E falando de percas culturais, foi também em 2011 que Angola perdeu uma das suas vozes mais distintas. André Rodrigues Mingas Júnior, que além de Grande Músico também já ostentou o cargo de Ministro da Cultura, faleceu no Brasil vítima de doença. “Foi-se a voz e o traço de André”.

     

     

    Como é obvio a presente lista de longe relata os acontecimentos mais marcantes do ano. O que temos aqui é simplesmente um resumo das notícias das mais espargidas.

     

    Ao fechar o livro de 2011, fica a incerteza do que nos trará 2012, MAS, que o ano de 2011 vai para sempre ficar na memória de muitos angolanos isso é indiscutível.

     

    Aproveito a oportunidade para em meu nome e da redacção dos Jovens da Banda, deixar os meus sinceros votos de Feliz Natal e um próspero ano novo para si caro leitor.

     


     

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    Mila Stéphanie Malavoloneque

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