Ser rico é ter tudo o que se quer. Será?

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Quando se fala em SER RICO logo pensamos: Muito dinheiro, abundância monetária, vida ‘’folgada e sem preocupações’’, etc. e por em diante. Faça o seguinte: escreva em um pedaço de papel a seguinte pergunta: O que é ser uma pessoa rica?

As respostas são as mais variadas. Todavia, gostaria de apresentar e comentar sobre uma noção de riqueza, que está na cabeça de boa parte da população e se encontra implícita nos três exemplos a seguir.

Pergunta: O QUE É SER UMA PESSOA RICA?

Resposta 1: “é ter tanto dinheiro que você pode comprar tudo o que quiser, sem perguntar o preço, pois você pode tudo”;

Resposta 2:  “significa ter sucesso e prestígio, além de ter recursos para realizar todas as suas vontades”;

Resposta 3:  “ser rico é poder fazer tudo o que deseja sem se preocupar se o dinheiro vai faltar para outra coisa”.

Ora, as três respostas trazem consigo a noção de que ser rico/a é poder ter TUDO o que se quer.
Mas será que isso é verdade? Do ponto de vista financeiro, a resposta é negativa. Uma pessoa só consegue aumentar ou manter o seu património, se se acostumar a ter muito critério nas suas despesas. Ser financeiramente saudável pressupõe gastar, menos do que se ganha.

Tentemos analisar a saúde financeira de duas pessoas fictícias, que compraram um carro importado. A primeira delas possui património suficiente para que a sua renda activa lhe permita pagar todos os gastos com o carro e, mesmo assim, no mês seguinte o seu património aumenta. A segunda pessoa, por outro lado, não tem um património que gere renda passiva, entretanto possui uma renda mensal alta, que lhe permite pagar as parcelas mensais do financiamento do carro. Perceba, neste segundo caso, que daqui alguns meses esta pessoa vai ter um veículo que vale menos do que quando comprou zero, sendo que provavelmente o seu património não terá aumentado (talvez diminuído). Isso acontecerá porque toda renda auferida no mês é gasta com bens de consumo que não colocam dinheiro no seu bolso (pelo contrário, geram mais despesas…). E também não será de espantar se, ao terminar de pagar as parcelas, essa pessoa faça outro financiamento para a compra de outro carro zero, mais caro ainda.

A grande diferença entre estas duas pessoas é que a primeira pode ter o carro importado, enquanto a segunda apenas quer tê-lo (status).

É possível verificar que a noção de riqueza, para muitos, baseia-se num alto nível de consumo. Isso significa que muita gente mede a riqueza dos outros pelo carro que dirigem, a casa onde moram, as roupas que vestem… Porém, como já expliquei anteriormente existem activos que compõem o nosso património que corroem a nossa riqueza e outros que a fazem crescer. Ser rico/a, portanto, não significará comprar tudo o que se quer, se isso fizer com que seu património diminua ao longo do tempo. É uma conclusão simples, mas que muita gente não compreende ou não aceita.

 Por fim, a mensagem que deixo ficar é a seguinte: reflicta sobre qual é o seu entendimento sobre a expressão “ser rico/a” pois é essencial para as suas finanças pessoais. Isso porque, dependendo da visão que se tem sobre riqueza, as suas acções para tornar-se rico será distinto. Aquele que encara a riqueza de maneira a poder consumir tudo o que quer, provavelmente jamais será uma pessoa verdadeiramente rica. Pense nisso e boa sorte nas suas finanças e vida pessoal!

 

Por Cátia Agy/Maputo, Moçambique

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