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    A CARA DA NOSSA MUSICA

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    Não são poucos os artistas angolanos que tenham feito nos últimos tempos vídeo clipes super produzidos que, com certeza, se houvesse alguém com a mente aberta a ponto de reconhecê-los iria criar um Angolan Music Video Award nos moldes de grandes empresas como a MTV, só para citar uma, que todos conhecemos.

    Imagino que ao ler o primeiro parágrafo, pelo menos alguém deve me ter tratados todos os nomes pejorativos possíveis por alegada falta de dinheiro para a realização do evento, por um lado, e por outro por achar que algumas empresas angolanas como a Rádio Nacional de Angola, através do seu Canal A e da “filial” Rádio Luanda, têm dado os devidos reconhecimentos aos artistas (digo músicos) angolanos. Não estou a falar do Top dos mais queridos, do Top Kuduro, ou do Top Rádio Luanda, tão pouco estou dos programas Levanta o Som (do canal 2) ou Made in Angola (da TV Zimbo). Estou a falar da formação de um prêmio que iria reconhecer não só a performance do músico ou ator dentro do próprio clipe como também a equipe envolvida nas gravações do material áudio visual. Assim sendo, além da categoria de melhor vídeo clipe, que seria o principal galardão, reconhecer a melhor direção de fotografia, a melhor montagem, o melhor roteiro ou argumento, seria uma maneira de sair da mesmice que está a ser ultimamente a produção videográfica angolana. Exagero meu?


    Vou me atrever em mais uma vez dar minha singela sugestão na qualidade de produtor audiovisual. Um mercado competitivo obrigaria os músicos e as próprias produtoras videográficas a selecionar outras locações além dos habituais quartos luxuosos de hotéis da cidade de Luanda. Ou será que para retratar a vida de duas pessoas que se amam tem que necessariamente ser num cenário de casas de luxos, carros caros que, na maior parte das vezes, nem mesmo o próprio dono da música tem? Ao gravar um vídeo clipe na voz do rio Zaire, por exemplo, o pescador local ao emprestar sua jangada ganharia algum dinheiro para compensar o tempo que ficou sem trabalhar, a aldeia receberia algum auxilio por albergar a equipa, sem falar que mais tarde que visse o vídeo se encantaria com a imagem e com certeza agendaria uma viagem ao local para ver de perto a beleza que apenas reparou no vídeo. Seria a musica, angolana promovendo o turismo que daria emprego criando um impacto econômico tirando o país da pobreza. Esta mesma pobreza que queremos esconder ao produzir vídeos nas Bahamas e em carro de luxos recheados de mulheres “ciliconadas”, vinhos, champanhe e caviar. Cansei-me! Cansei-me de ver sempre a mesma iluminação a mesma maquiagem a mesma forma de montagem.

    Hoje além de conseguirmos identificar o produtor musical, apenas pelo primeiro acorde, já é possível identificar o diretor do videoclipe através do primeiro frame. E isso seria tão interessante se cada um tivesse seu próprio estilo dentro do contexto da música. Mas não, são todos iguais pois o que varia é a versão da câmera. Cansei de ver vídeo clipes mostrando Angola num clima de ilhas caribenhas. Já reparou que os últimos vídeos angolanos estreados “mundialmente” nos últimos 15 dias têm os mesmos efeitos? E já reparou que se houvesse um incentivo a concorrência seria mais séria?

     

    Por: Custódio Fernando Para Platina Line 


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