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    Anuário jano inaugura “arquivo mestre”, exposição individual patente na galeria jean-Claude Maier em Frankfurt.

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    Com abertura programada para o dia 18 de Maia, ARQUIVO MESTRE é a primeira  exposição individual do artista Januário Jano na Alemanha, em exibição na galeria Jean Claude Maier em Frankfurt até ao dia 14 de Agosto.  

    Especialmente produzidas para a exposição, as obras oferecem uma experiência estética  marcante, ao mesmo tempo que convidam a uma exploração mais profunda, com trabalhos  que incluem instalação sonora, vídeo, têxteis, esculturas e fotografias que abordam o  processo de construção e desconstrução do arquivo, memória e identidade. 

    Cada olhar, cada audição promete uma nova descoberta, outra pista para algo anteriormente  escondido: o chilro dos pássaros saúda os visitantes dentro da exposição. Não há animais  vivos, mas as gravações sonoras de espécies longínquas emanam através altifalantes. Para a  instalação sonora Dusky Dorky – À Procura de Dodo, Jano mergulhou no arquivo de sons do  Museu Britânico em Londres, conhecido pelas suas extensas colecções de artigos coloniais  deslocados. A deformação torna-se uma voz fantasmagórica que fala de tempos passados,  um “Kazumbi”, um espírito de outro mundo, como no sistema de crenças tradicional do  Ambundu. No museu, os chamamentos das aves tornam-se material de arquivo:  documentado, inventariado, retirado à força do seu ambiente natural. 

    “Kazumbi” é também o título da obra vídeo exposta. Jano move-se nos ecrãs para sons  respiratórios rítmicos, como se fosse apanhado por uma força estranha. Ele usa um vestido  branco, que as suas avós também poderiam ter usado nos tempos coloniais. Não um traje  tradicional, mas sim um à moda dos governantes coloniais, reminescente também de traje  clerical. A roupa do homem branco, da mulher branca, foi um primeiro passo no processo de  assimilação cultural, um passo longe da própria narrativa, da memória colectiva, longe da  “Mponda”, como são chamados os sacos de algodão em forma de cinto, nos quais as  mulheres Ambundu preservavam as suas histórias.  

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