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    MM fecha na Fundação Arte e Cultura com vozes sonantes da Música e Literatura

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    A terceira edição das Noites de Poesia, realizada na noite de quarta-feira, serviu-se para homenagear a mulher, fechando assim o “Março Mulher”. O evento foi em grande medida marcada pelas figuras das artes Ângela Ferrão, pela música e Amélia da Lomba, pela Literatura.
    Num cenário bastante colorido de peças de obras plásticas, luzes azuis e brancos foi possível viver todo um momento propiciado pelas mulheres, que com declamações de poesia e música elevaram as suas vozes, como quem vai dizer: “Sim, nós somos, nós podemos”. No evento, houve também dança de capoeira.
    Ângela Ferrão, que anunciou o lançamento seu novo álbum, ainda este ano, pisou o palco da Fundação Arte e Cultura com as músicas “Ângela”, “Lázaro”, despedindo-se com o “Wanga”, música que levou os mais de 80 presentes no evento, a retirar e bater os pés no chão.
    Recordar que, “O Wanga” é também o título do primeiro álbum da cantora, cujos pais residem nas terras do Soba Kungo, Waku_Kungo, e que congrega 9 faixas musicais.
    Não é a primeira vez que Ângela Ferrão marca presença nas Noites de Poesia, da fundação Arte e Cultura. A primeira vez que o fez, foi no ano passado e se foi apenas por exigência à sua arte, desta vez, fê-lo por duas razões: terminar o Março Mulher entre as mulheres artistas, primeiro, segundo, para selar a ocasião com novas músicas do seu novo álbum.
    Amélia da Lomba foi ovacionada pelos jovens poetas que a chamavam de “cota”, como ela mesma enfatizou no preliminar da sua actuação e em gesto de animação: “Chamam-me de grande poetiza e por consequência disso estou a ficar muito grande que daqui a nada não caberei na cama”, contou para o riso da plateia.
    A poetisa declamou poemas que enalteceram a paixão e a mulher, uns da sua autoria e outro do escritor Jofre da Rocha, ex-presidente da Assembleia-Nacional, Roberto de Almeida. No final, disse que gostava de fazer poesia e que depois de ler tantos e bons poetas, pesa-lhe a alma, intitular-se poetisa.
    “Sou uma das estrelas da constelação poesia. Não sou grande, nem tão pequena, nem tão média. Na constelação poesia, todos somos”, disse, afirmando que todos os dias, é o dia da mulher.
    O artista plástico Mambo deixou a sua zona de conforto e viveu com outros colegas da arte, que se juntaram às mulheres os momentos emocionantes da noite. Solicitado a estabelecer uma relação entre a poesia e a obra plástica como instrumentos que expressam o fulgor da beleza da mulher angolana, o artista disse que ambas são artes que personificam o imaginário, os pormenores da mulher, até os mais íntimos que ela não percebe.

    Otília Adriano, poetisa e apresentadora do programa Flash e Bodas, da Televisão Pública de Angola, assegurou a apresentação do evento. Segundo disse, a poesia é a arte de sua bandeira.
    “Eis-nos mortas, de rastos, pelo chão! E fomos belas, altas, frondosas. E demos doces frutas saborosas Que mataram a sede e foram pão. Em nós, cheias de enlevo e mansidão, Fizeram ninho as aves amorosas, Pelas sestas de Julho a arder, piedosas, Fomos a sombra e a voz da solidão. Fomos o berço do homem, e o seu lume; Demos-lhe bênçãos, campos e perfume; Caixão, em nós descansa até final. Demos a vida a quem nos tira a vida. Mas só nos dói a ingratidão sofrida Dum mal inútil, – feito só por mal”, foi com este poema, um dia escrito por António Correia de Oliveira, que Otília Adriano terminou a conversa, ao responder a pergunta: Que enquadramento podemos fazer entre a noite de poesia e o Março Mulher?

    Sobre Noites de Poesia
    É um projecto da Fundação Arte e Cultura, que visa proporcionar aos poetas declamadores e não só, músicos, um espaço de partilha de experiência. Visa igualmente proporcionar momentos de emoção e distração aos amantes da arte e da literatura. O evento tem uma periodicidade mensal e é realizado nas últimas quartas-feiras do mês, nas instalações da Fundação, situada no largo Serpa Pinto, Mutamba.

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