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    Tony Franpenio avalia estado do teatro nacional “Ainda não temos um teatro que instiga os fenómenos da cultura”

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    Por: Stella Cortêz

    O encenador do grupo teatral, que no dia 04 de Julho vai colocar nas bancas as obras literárias “A RAIVA”, “A GRANDE QUESTÃO” e “TEATRO DA TARIMBA”, livros que completam-se, porém, diferem no conteúdo, fez uma apreciação sobre o teatro nacional enquanto profissional das artes cénicas.

    Ao PLATINALINE, Tony esclarece que Angola ainda não possui um teatro Nacional na acepção do termo “Nação”. Um teatro que instiga os fenómenos da cultura e que funciona como um verdadeiro veículo de exaltação da angolanidade.

    “Este teatro existiu nos anos 80 com o casamento que se verificava com a literatura de Pepetela, Costa Andrade Ndunduma, Manuel Rui Monteiro, Uanhenga Xito, Óscar Ribas e José Mena Abrantes, bem como outros escritores da época. Hoje, o que se verifica é um divórcio do teatro com a literatura, o que de certo modo belisca o valor axiológico que esta disciplina artística aufere e, desvaloriza o actual teatro praticado de pouca profundidade filosófica e estética, naquilo que deveria ser chamado de Teatro Nacional”, disse.

    O encenador acrescenta igualmente que, aliada a este fenómeno, há um conjunto de factores que em nada contribuem para que se possa diminuir a problemática do teatro em Angola.

    “A falta de políticas claras e pragmáticas, as poucas e degradadas infraestruturas existentes, a falta de formação de qualidade, a falta de incentivos e promoção das artes, e tantos outros factores, relegam o teatro à condição de produto não rentável para a economia do país. O que existe, de acordo com Mena Abrantes, é a vontade dos fazedores de teatro que conflituam com todas as dificuldades que fizemos referência em cima. É, também, por esse motivo que o nosso estudo denomina-se TEATRO DA TARIMBA”, frisou.

    Em relação ao estado de estudos científicos da área, Tony Frampenio sublinhou que quase não existem estudos científicos, porém, Mena Abrantes, Agnela Barros, Africano Kangombe e talvez mais alguns na floresta do Mayombe, são os poucos que existem com conteúdos especializados na área.

    “Por isso, nós, enquanto um dos primeiros quadros formados em Angola nesta área, estamos preocupados com a situação e, de maneira a contribuir na resolução do problema, estamos a lançar estas obras que muito ajudarão a colmatar a lacuna existente”, finalizou.

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