Madeira na construção Civil/Desertificação Ambiental

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A madeira é uma substância fibrosa, dura que forma troncos e ramos de determinadas árvores. Vale frisar que é o primeiro material de construção usado pelo homem (construção da arca de Noé), excepcional para além de estar dotada de qualidades, vem sendo utilizada desde os primórdios da civilização dos mais utilizados no mundo depois do aço.

A sua classificação é feita em função da árvore de procedência e pelas suas propriedades mais importantes tais como: Dureza, resistência à compressão, resistência a flexão, peso específico, durabilidade, beleza.
Ela obtém-se pelo processo de corte (abate), transporte, secagem, transporte e transformação na serração.

Tipos de madeiras e sua aplicação
Mogno: fabrico de móveis, painéis decorativos;
Cumaru: fabrico de pérgolas;
Pinho: fabrico de ripas, rodapés e móveis;
Cedro: fabrico de mesas, portas,janelas;
Nogueira: portas, assoalhos;
Pau ferro (Ébano): fabrico de embarcações, corrimãos, escadarias, assoalhos, instrumentos musicais;

Propriedades físicas e Mecânicas
A medir possui propriedades físicas (humidade, retração, densidade, condutibilidade térmica, sonora, acústica e electrica), e mecânicas (resistência à flexão, choque e carga dinâmica), retractibilidade.

Aplicação na Construção Civil
Conforme a necessidade, a madeira pode ser usada para os fins seguintes:
a) decorativos: ornamentação de paredes, pavimentos, tecto falso, etc;
b) Elementos de estruturas: confecção de pilares, cofragens de sapatas, pilares, vigas, lajes, postes para iluminação pública e redes de telecomunicações, fabrico de andaimes etc.
c) cobertura: produção de asnas, madres, contraplacados, travessas, escoras, etc);
d) Construção de estradas, travessa dos caminhos de ferro e galerias;
e) serve de matéria prima (principal subproduto) para produção de papel, resinas, álcool, plásticos.

Cuidados a ter com a madeira
para retirar a humidade deve ser deixada em estufa a temperaturas que variam de 100 a 150 graus celsius;
Aplicar verniz para protegê-la da chuva, poeira, frio, calor, neve, fungos, cupins, e mofos que prejudicam o seu bom acabamento e funcionamento;
Arde na presença do fogo, tudo deve ser feito pra evitar incêndios, em contrapartida é um material leve.

Desertificação das florestas em Angola
O sector florestal em Angola representa um potencial importante para a economia do país. A captação de investimento, a promoção do emprego fazem parte do novo paradigma de um dos sectores eleitos para a diversificação da economia nacional.
O país produz anualmente 1.250.000 metros cúbicos, incorporado ao potencial da floresta plantada com cerca de 820 mil metros cúbicos ano, e 320 mil metros cúbicos da floresta natural.
As Províncias que mais produzem madeira são:Uíge com 51 % dos produtores; Cabinda, 18 %, Bengo 10%, Cuanza Norte 6%, e o restante pelas províncias do Moxico, Malanje e Lundas Norte e sul.

Desflorestação
As florestas naturais constituem fonte de matéria-prima, principalmente para a produção de mobília, para o sector da construção.
O corte e a exploração da madeira para fins industriais são controlados e fiscalizados por órgãos do Estado. Mas existe uma grande preocupação com actividade desenvolvida de forma marginal por populares que usam a madeira para produzir carvão para uso doméstico. A forma indiscriminada como o fazem e sem a observação de normas no que se refere à replantação das árvores, preocupa o Instituto de Desenvolvimento Florestal.

Reflorestação
As províncias do Huambo, Bié, Huíla e Malanje são as províncias onde mais se produz carvão para uso doméstico, o que acaba por se reflectir no equilíbrio ambiental. Do Executivo ­surge a estratégia de florestação e reflorestação com o programa de plantação de 50 mil hectares de novas florestas em cada ano, onde para além do sector publico, vai contar com a participação do sector privado e das comunidades. Com a entrada em vigor do novo Decreto Executivo Conjunto 169/16, o transporte de madeira inter e intraprovincial deve ser efectuado em condições técnicas de segurança, isto para se evitarem vítimas humanas e prejuízos materiais nas vias rodoviárias, tendo em conta que uns dos principais elementos que proporcionam a rápida degradação dos pavimentos das estradas nacionais são os elevados peso dos eixos padrões dos camiões aterlados que transportam touros de madeira e não só.

Legislação em vigor
O Decreto Executivo Conjunto 199/16 dos ministérios do Interior, Agricultura e dos Transportes aprovam os requisitos de segurança para o transporte intra-provincial da madeira em toro e interprovincial da madeira serrada.

O diploma supra estabelece que os veículos para o transporte de madeira em toro devem ter as seguintes características:
-carroçaria aberta e possuir taipal dianteiro com largura igual à respectiva caixa de carga,
seja ela fixa em chassis-cabina seja em semi-reboque plataforma e com altura mínima de 50 centímetros;
-A madeira serrada deve ser transportada em veículos chassis-cabina com caixa de carga ou semi-reboque abertos com taipal frontal, traseiro e lateral, sendo o taipal frontal com largura igual à respectiva caixa de carga e altura mínima de 50 centímetros.

O IDF deve estar cada vez mais dotado de meios, tecnologia e homens com capacidade de intervenção que inviabilize o que se passa neste momento em matéria de exploração desenfreada de madeira principalmente por estrangeiros. Alguma coisa tem de ser feita para que tenhamos continuamente preservadas as nossas florestas! (Jornal de Angola de 25 de Maio de 2016).

Ninguém faz contrato com a natureza, acredito da lei do retorno e que cada um recebe na proporção que oferece.

Explorar madeira, criar empregos, exportar e adquirir divisas, diversificar a economia sim!!!

Insisto, aliado a isso digo também sim à replantação, reflorestação, a obrigatoriedade de cada família plantar e cuidar de pelo menos 2 árvores defronte à sua residência, porque para além de proporcionarem a madeira, as árvores são responsáveis pela redução do mau cheiro e barulho na cidade, absorvem o gás carbônico (CO2) e libertam oxigênio, melhorando a qualidade e umidade do ar, bem como, as suas raizes ajudam na equilíbrio dos aquíferos, estabilidade dos taludes e evitam o fenômeno de ravinas que se verificam em várias parte do nosso país e do mundo (destruindo importantes infraestruturas como estradas, pontes , edifícios, hospitais, que custaram elevadas somas do erario público).

Cuidar da natureza, preservar o ambiente é responsabilidade de todos e de cada um!

Olívio Sacaia Fernando (Eng. Civil e docente Universitário).
E-mail: sacaiaolivio@gmail.com

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