Pintor e escultor Angolano António Gonga Brilha pelo Mundo

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António Gomes Gonga é um artista pintor e escultor, apaixonado pelas artes e que decide compartilhar com os platinados da Platina Line um pouco do seu vasto leque de conhecimento sobre o mundo das artes. Questões pertinentes foram levantadas e abordadas, quer para aqueles que já se encontram no mundo das artes como para aqueles que desejam mergulhar nesse mundo. Leiam com atenção a essa interessante entrevista.

 

 


Platina Line: Como e quando foi o seu primeiro contacto com as artes plásticas?

António Gonga: Na EVP, Educação Visual Plástica, na 5º classe em 1980 no Quitexi-Uige.


P.L: Porque Arte e não outra área de conhecimento?

A.G: Diz o senso comum que cada um de nós já nasce com o bichinho da arte dentro de si. Inicialmente servia como refúgio ou terapia. Fui socialmente rejeitado durante a infância e reduzido a gaiato. A prática das manualidades me isolava num universo dedicado exclusivamente ao meu próprio universo. Deste modo acabei sendo contagiado a esta área de conhecimento.

 

 

P.L: Nas especialidades das artes vemos que a maior parte dos seus trabalhos são em pintura, o porque da escolha dessa especialidade?

A.G: A pintura acabou sendo uma opção primária, dado que a certo momento precisava-se manter a produção artística, numa época de profunda crise social em Angola sem quaisquer políticas para a segmentação do movimento artístico liberal. A pintura circulava com alguma facilidade nos círculos de expatriados o que favorecia a aquisição dos materiais e fazer algum bolso; todavia a escultura é a minha paixão .

 

P.L: Qual a sua principal linha de raciocínio nas suas criações, ou representa um pouco de tudo que lhe é apresentado pela sociedade?

A.G: A tradição autóctone é a principal base, recriando algumas das imagéticas para exprimir um pouco de tudo. O romantismo é minha opção.

P.L: Luanda já tem olhado para o artista como um profissional, formador de opinião, ou ainda persiste o preconceito?

A.G: Não sei se é preconceito! Os orgão de comunicação social, como sabe, são instituições poderosas para a formação de opinião. Em muitos casos promove-se a mediocridade o que favorece a especulação e o boato, armas poderosas que reduzem o povo à ignorância e a descredibilização da classe.

Nesta altura pequenos círculos de elites protegem os pivôs de opinião, que não são muitos, mas com pouca capacidade de comunicar com a maioria esmagadora da população, por sinal, iletrada.

 

 

P.L: Apresente-nos algumas das dificuldades dos artistas e algumas possíveis soluções?

A.G: Dificuldades:

· Mercado manietado por circulos gananciosos a partir das multinacionais;

· Falta de infraestruturas de suporte a arte:

· a) galerias privadas;

b) salas municipais de exposições

c) Museus privados

d) fundações de interesse a arte:

e) casas de venda de materiais de arte;

· A importação exagerada de acessórios de decoração quer por parte das casas de mobílias como na decoração dos inúmeros edificios que a cidade está a ganhar.

Possiveis soluções;

· Legislação sobre o mecenato.

· Liberalização dos mercados das artes;

· Democratização da cultura no quadro das autarquias.

 

P.L: Como considera o desenvolvimento das artes em angola e aparição dela no exterior?

A.G: Passos tímidos têm sido dados neste sentido. Mas para a urgência que temos em estandardizarmos a nossa arte, é gota no oceano. Um dos grandes factores é a baixa escolaridade da maioria dos profissionais e o medo político para a tomada de posição em relação às más políticas no sector da cultura. Seja como for, a criação de muitas colecções por parte de muitas multinacionais tem animado esta tendência da promoção das artes angolanas, o que por si só é um grande indicador.

P.L: A existência de uma escola de arte no ensino médio fez toda a diferença?

A.G: Nem por isso. Mas ajudou de alguma maneira. Centenas de técnicos médios trouxeram ao mercado mais ousadia ineletal. Lamentavelmente, a escola está inviabilizada alegadamente por não ter professores com o perfil recomendado, para alem de se pretender transferir a escola para outras instalações.

 

 

P.L: Os estudantes que saem de lá formados, estão preenchendo as lacunas quanto ao ensino da arte e a produção artística?

A.G: No domínio da produção vai havendo alguma intervenção se bem que tímida, em alguns casos ainda amadora. Não havendo escolas de arte, não há como preencher lacunas.

 

 

P.L: É a favor da formação continuada do artista?

A.G: Inevitavelmente.

 

P.L: A possibilidade de uma faculdade de Belas Artes vai trazer para à sociedade um novo olhar sobre o artista, ou vai ser mais um curso para garantia de um melhor nível de vida?

A.G: As duas coisas. Mas vai trazer para a inteligência Angolana mais valia devido ao estudo que se impõe relativo aos usos, hábitos e costumes do nosso povo.

 

 

P.L: Tem um atelier próprio ou participa de outros?

A.G: Tenho atelier próprio.

 

P.L: Considera-se uma autoridade no mundo das artes?

A.G: Depende do paradigma. Sei que não sou medíocre.

 

 

P.L: Quando teremos o prazer de apreciar uma nova exposição individual sua ou algum projeto em carteira?

A.G: Em Maio próximo.

 

P.L: Percebemos a escassez de projetos culturais com a inserção da sociedade, o que tem a dizer sobre?

A.G: Dizem os sociólogos que em tempo de crise o povo precisa pão. Os angolanos na generalidade debatem-se com problemas de segurança social. Projectos sociais precisam-se, todavia, a classe empresarial é chamada a colaborar. Não basta vontade.

 

 

P.L: Como encara o ensino de arte nas escolas de ensino de base, a disciplina de EVP tem dado conta do ensino de arte nessa fase do ensino, ou tem muito a melhorar?

A.G: A EVP foi a melhor coisa que a guerra fratecida não aniquilou. Sem quadros competentes inicialmente, mas, com a inserção de técnicos formados na escola de Artes Plásticas, foi insuflado no sistema nacional de ensino mais oxigenio académico; o que se precisava para uma maior operacionalização do conhecimento artistico na formação integral da pessoa angolana.

 

 

P.L: O que tem a dizer a aqueles que desejam ingressar no mundo das artes, mas não o fazem por achar que não tem sucesso, ou mercado de trabalho que os aceite?

A.G: Para todas as coisas é preciso o espírito de missão. Todas as revoluções foram feitas por pessoas inspiradas a partir de alguma força interior. Quem tem dom e habilidade nas artes, não se importa dos infortúnios.

 

 

P.L: O que achou do nosso projeto PlatinaLine?

A.G: Achei ele muito propenso a música e ao entretenimento. De Artes Plásticas…

 

P.L: Uma palavrinha aos Platinados da Platina Line ?

A.G: Sem bifes, muitos kandandos.

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